Lita Freitas em noite de autógrafo do livro. Foto: Divulgação

Lita Freitas em noite de autógrafo do livro. Foto: Divulgação

 

As mulheres estão cada vez mais craques em campos antes dominados pelos homens. Mas, para que comecem a marcar seus gols, ainda precisam superar a barreira do preconceito. Quem adverte é a escritora Lita Freitas, autora do livro “A Bola da Vez Está com Elas”, no qual analisa a crescente participação feminina no futebol.

 

“Escolhi a temática do futebol para amarrar as histórias porque ele se mostra o pano de fundo ideal para a discussão de diferença de gêneros, pois tudo fica muito mais evidente. Aqui são os pais que ainda se espantam com as filhas desejarem uma bola ao invés de uma boneca, ali ainda é o marido que não aceita o fato de a esposa ir sozinha ao estádio ou torcer por um time diferente”, exemplifica Lita.”Estão ali a mulher de jogador, mas também a esposa em geral, a dirigente de futebol, mas também a empresária, torcedoras de organizadas, jogadoras e treinadoras.”

 

Advogada, tradutora e professora, a paulistana juntou no livro duas paixões – pelas palavras e pelo futebol. Torcedora assídua do Corinthians, tinha pôster e recortes de jornais de seus ídolos . Durante a produção de sua obra, arrematou a experiência de conhecer o CT do clube com o jogador Paulo André e o almoço com o William em leilão beneficente promovido pela Atletas pelo Brasil. “Em consequência, consegui a participação do Paulo no livro, o que enriqueceu muito a obra. Ele é conhecido pelo engajamento em causas justas e pôde dar a visão masculina acerca da presença feminina dentro do futebol”, destaca Lita.

 

Para ela, apesar da presença maior das mulheres no futebol, poucos lugares oferecem estrutura para a prática do esporte, tanto entre as ‘peladeiras’, que jogam por hobby, como entre as profissionais, que não encontram patrocínio ou clubes dispostos a investir na categoria. E o futebol espelha situações cotidianas enfrentadas pelas mulheres.

 

“É necessário falar sobre aquilo que muitos não enxergam ou fingem não enxergar: o Brasil não é e nem será o país do futebol enquanto o futebol feminino for tratado como amador. Bem como não é e nem será um país com igualdade de gênero enquanto uma mulher continuar a ganhar menos, a ser molestada no transporte público e coagida dentro de casa. O preconceito existe, é real e está, muitas vezes, presente nas próprias mulheres, o que o torna ainda mais assustador”, destaca.

 

Lita lembra o exemplo da skatista brasileira Karen Jonz, que quebrou paradigmas ao andar de skate, competir ou se arrumar como qualquer outra da sua idade. “Hoje ela é campeã de sua categoria e possui uma marca própria de roupa. É este tipo de exemplo que devemos seguir, o de ousar fazer o desejado da nossa maneira. Sem dúvida, a participação feminina é tendência mundial, independentemente do esporte. Contudo, é preciso estar preparada para superar muitas limitações impostas pela sociedade, principalmente as derivadas do preconceito, para se chegar à vitória. Se estivermos prontas, o céu é o limite.”